segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Extremos tão próximos

Enquanto brasileiros somos obrigados a conviver tendo aos nossos lados: extremos. No sentido estrito da palavra a conotação é de distância, porém atualmente os extremos estão cada vez mais próximos do que imaginamos. Esses extremos são: a miséria e a riqueza.

De forma objetiva e resumida, a miséria está estampada nos semáforos, favelas, filas de hospitais públicos, no descaso onde muitas pessoas são encontradas. Já a riqueza se evidencia nos grandes edifícios, coberturas, carros importados, colégios blindados etc.

Caso típico do encontro desses extremos se dá quando ao sair de um estacionamento e parar no primeiro semáforo, num gesto simples, uma mãe com uma criança toda suja no colo pede esmolas ao garotão da BMW, estendendo a mão diz:

- Qualquer ajuda moço!

Ele a ignora, elimina rapidamente a pequena fresta que havia no vidro da porta do carro e aumenta o som, não vê a hora do semáforo abrir para se livrar daquela cena.

Daí nasce uma série de reflexões a respeito dos extremos, o que o rapaz da BMW tem a ver com a pedinte do semáforo? Dar esmola incentiva a prática de pedintes? A esmola serve para sustentar o vício dessas pessoas? A culpa é do poder público que não se preocupa com esta situação? É mais fácil pedir do que trabalhar? Por que vou me sentir mal com tal situação se eu trabalhei para ter o que tenho, eles que façam o mesmo! É uma questão de distribuição de renda! É o sistema capitalista que contribui para a desigualdade do país! É um bando de ladrões!

Quantas dessas frases surgem espontaneamente nas conversas entre amigos, no bar, na festa de casamento, no velório, no carro voltando do trabalho, na hora do almoço, no metrô, na fila do ônibus etc.

Será que alguém parou pra pensar que o cerne da questão não está em entender como se criou esta situação, qual a sua origem, quem são os culpados, mas de levar em conta que essas pessoas também são gente, gente da gente, que têm anseios e sonhos ou que ao menos tiveram. Que vivem dia após dia vislumbrando uma paisagem de puro desprezo, desatenção e humilhação das mais variadas formas possíveis.

São vidas que merecem respeito e precisam de ajuda pois sozinhos não conseguem se levantar para sair desse submundo abandonado pela sociedade e desconhecido pelo governo. São templos de sabedoria desprezada, fontes de conhecimento marginalizadas, histórias sem a mínima importância, enfim, são somente odores exalados sob viadutos.

Os extremos nos levam a refletir sobre o atual cotidiano da vida do homem contemporâneo, onde a ambição e o individualismo exacerbado nos levam a momentos de conflitos e angústias num mar infinito de ansiedade.


Cristiano Carvalho de Oliveira

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